Os 12 melhores filmes de 2025, segundo o Incoerente
Foi um ano muito bom para escolher apenas 10.
No geral, eu não gosto muito de ranquear cultura. Até curto listas de consumo, mas não dou tanta importância para a posição em que cada obra ocupa ou a hierarquia disso. Até porque, eu sou meio indeciso, e provavelmente vou discordar do meu próprio ranking daqui uma semana.
Mas no caso dos melhores do ano, acho legal revisitarmos nossas listas, ou tentar puxar na memória os filmes que vimos ao longo do ano. Principalmente aqueles do primeiro semestre, que acabam prejudicados ou esquecidos no rolê, até nas premiações.
Em 2025, minha relação com o cinema foi maravilhosa! Foi o ano em que menos tivemos filmes da Marvel, o que eu acho ótimo. E os filmes de super-heróis, no geral, deram uma reduzida. Foi o ano que o cinema nacional botou geral pra mamar. Foi o ano em que mais fui ao cinema em toda a minha vida, inclusive para assistir alguns clássicos que foram relançados ou, filmes completamente diferentes do que costumo ver. E sem querer me gabar, eu vi 160 filmes esse ano. Desses, 55 foram lançados em 2025. Palmas para mim.
Alguns, eu queria muito ter visto a tempo de considerar nessa lista, mas não deu. Marty Supreme e Valor Sentimental, que eu vou acabar assistindo no período de premiação do Oscar. Outros que eu gostaria de ter visto são A Longa Marcha, adaptação do Stephen King; Bailarina, spin off de John Wick, que é uma farofa que eu aprecio demais; e o remake de Running Man, pelo Edgar Wright. Também fiquei devendo O Ultimo Azul, que todos que assistiram saíram rasgando elogios.
Em 2025 também tivemos filmes muito divertidos, que não são tão bons a ponto de estar em nenhum ranking, mas que valeram o ingresso pago. Lilo & Stitch e Como Treinar o Seu Dragão, com a Disney e a DreamWorks jogando no seguro nas adaptações. Karatê Kid: Legends, que tentou surfar no final de Cobra Kai, mas também tentou algo novo, para além da nostalgia. E, um dos mais divertidos do ano, Premonição 6: Laços de Sangue. Um trash gostoso, como só o começo dos anos 2000 poderia ter criado.
Tivemos as bombas também. Capitão América 4, Quarteto Fantástico e Thunderbolts, que geral elogiou, mas eu achei UM DOS FILMES MAIS CHATOS JA FEITOS. Tivemos também Avatar 3 - Fogo e Cinzas, que além de chato é repetitivo. E, o filme que levei a patroa pra assistir e isso quase custou o meu noivado: Missão Impossível 8, ou Acerto de Contas Parte 2. Que filme ruim! Desculpa mozão.
Dito isso, vamos ranquear filmes! Provavelmente você irá discordar completamente da minha lista e da maioria dos títulos que vão aparecer por aqui. O que eu acho ótimo! Assim você pode fazer sua própria lista ai nos comentários, e quem sabe, me apresentar filmes diferentes, lançados em 2025.
12 - Os Enforcados - Fernando Coimbra
Jogo do bicho, safadeza, trairagem e suspense de qualidade. Não preciso dizer mais nada.
Leandra Leal e Irandhir Santos protagonizam uma obra Shakespeariana em Nova Iguaçu. Um bicheiro falido e sua esposa, planjam um golpe na alta cúpula do jogo do bicho do Rio de Janeiro e acabam entrando em uma espiral de violência e paranoia.
Um filme pesado, tenso, mas com uma produção super simples e um ritmo de dar inveja aos filmes dos irmãos Safdie. Fernando Coimbra também é o diretor de O Lobo Atrás da Porta (2013), e mostrou que sabe fazer filmes impactantes.
Os Enforcados teve sua estreia em 2024, no Festival de Toronto, porém só chegou aos cinemas no final de 2025. Talvez essa demora tenha prejudicado bastante a repercussão do filme e o deixado de fora das listas de melhores do ano. Mas aqui não.
Um destaque para o titulo em inglês: Carnival is Over.
11 - Eddington - Ari Aster
Outro esnobado. Do mesmo cara de Midsommar e Hereditário, esse thriller/faroeste protagonizado por Joaquin Phoenix, Emma Stone e Pedro Pascal, não está nem sendo cotado para as premiações.
Mesmo não sendo um filme de terror, como os anteriores do diretor, Ari Aster sabe como fazer um cinema incomodo. Um filme onde todos os personagens (eu disse TODOS), são pessoas horríveis; Onde os temas causam vários gatilhos com a nossa história recente e; Que fará você mudar de ideia sobre ele diversas vezes ao decorrer da trama.
Eu não sou capaz de escrever uma sinopse pra ele, mas posso dizer em que período se passa e os acontecimentos que impactam a trama: se passa em 2020, tem covid, big techs, redes sociais, black lives matter e violência policial, conspiracionistas, eleições, Trump, fake news, armamentistas e uma seita. Boa sorte.
A divulgação do filme foi péssima, a concorrência foi forte e ele ficou pouquíssimo tempo em cartaz. Porém esse é um dos filmes mais bem dirigidos do ano. Um New-Westen de respeito, criativo e com uma das melhores sequencias de ação do ano.
10 - Homem com H - Esmir Filho
Eu não gosto de cinebiografias. Muito menos cinebiografias de cantores. Ainda mais cinebiografias de cantores brasileiros. Acho que a proximidade do publico e dos produtores com os artistas retratados, prejudicam o contar de uma boa história. São filmes chapa branca, que pisam em ovos o tempo todo e direções quadradas demais.
A cinebiografia do Ney Matogrosso, não é assim. O filme ainda tem aquela estrutura de roteiro meio globo filmes quando precisa ter, mas não é nada conservador. Tem uma montagem fluida, uma estética e fotografia que evocam o tropicalismo e a carreira do artista. É provocador, como sua musica e suas performances. É escandaloso pra quem se incomoda, é poético, sensual e verdadeiro.
Os relacionamentos amorosos e familiares conturbados, o período da ditadura militar e a epidemia da Aids, nada parece ter sido suavizado. O próprio Ney não aceitaria algo assim. Foi incrível ver um filme nacional desse tipo ganhando destaque e bilheteria em tempos de tanto conservadorismo. É o filme do menino Ney que vale.
09 - Superman - James Gunn
Sei que eu reclamei dos filmes de super-heróis no começo do texto, e agora tô colocando um deles aqui no ranking. Mas o nome do blog é INCOERENTE, então, me deixa em paz.
O safado do James Gunn está nos contando a mesma história desde que escreveu o filme do Scooby-Doo em 2002. É sempre um grupo de desajustados, que aprende a conviver e se torna uma família. Funcionou com Scooby-Doo, com Guardiões da Galáxia, Esquadrão Suicida, Pacificador e, funcionou aqui, no filme “solo” do Superman.
Embora eu veja um monte de furos de roteiros, com muitos personagens subutilizados e ache um filme corrido demais eu estava morrendo de saudades de um filme com coração.
A essência do Superman está lá. Todos os atores funcionam muito em seus papéis, são carismáticos e parecem estar se divertindo. Todos os personagens me deixaram com vontade revê-los em produções futuras. Tem humor, cores vivas e momentos emocionantes.
Superman é como as adaptações de quadrinhos de super-heróis deveriam ser e como o Zack Snyder nunca conseguiu fazer. David Corenswet é um Superman que sorri, é simpático e gente boa, totalmente oposto ao Superman com cara de segurança de boate chique que o Henry Cavill fazia.
Eu também queria cenas de ação melhores, mais audaciosas, mas mesmo com todos os problemas e defeitos, o filme me conquistou. Saí da sessão com um sorriso bobo e cantarolando ‘Cause I’m a punk rocker, yes I am…
08 - F1 - Joseph Kosinski
Falando em contar a mesma história que já conhecíamos... Já vimos essa do velho rebelde, ou fora de forma, mas excepcional e do jovem em ascensão, obcecado, mas arrogante e esquentado. Eles se estranham, brigam, aprendem a trabalhar juntos e ensinam uma lição motivadora um ao outro. Filmes de esportes, com histórias de superação, costumam ser bem previsíveis. Mas a execução é tudo.
Aqui temos um belo exemplo de arroz com feijão bem feito. O filme anterior de Joseph Kosinski, Top Gun: Maverick (2022) já era isso. Aqui ele repete a formula de personagens carismáticos, cenas impressionantes e tecnicamente perfeitas. Mas eu acho que funcionou mais em F1.
O filme é um espetáculo visual e sonoro. É imersivo, dinâmico e me deixou completamente atraído por aqueles carros e corridas, mesmo eu nunca tendo assistido a um puto de Formula 1 na vida.
O carisma dos personagens de Brad Pitt, Damson Idris, Javier bardem e Kerry Condon seguram o filme, que mesmo com 2h35 minutos, não vi o tempo passar.
07 - A Hora do Mal - Zach Cregger
Esse ano eu fui menos bundão e criei coragem pra ver uns filmes de terror. A Hora do Mal foi um deles.
É a história das crianças de uma mesma classe, de uma cidade pequena, que saem correndo feito o Naruto, todas as 03h17 da manhã.
O mistério por trás do desaparecimento das crianças, o terror psicológico e a paranoia enfrentados pela professora, a crescente de violência e a impotência da cidade em relação ao inexplicável, me pegaram demais.
A narrativa, por diversos pontos de vista e contada em capítulos, foi um recurso muito bem utilizado. E o filme possui todo um subtexto sobre a violência, o bullying e os ataques em escolas e a paranoia americana. O titulo original, Weapons, talvez evidencie isso.
O diretor também fez o ótimo Barbarian (2022), utilizando essa mesma estrutura narrativa. Esse, eu também criei coragem e assisti.
06 - Os Pecadores - Ryan Coogler
O cinema é carente de boas histórias originais, que não sejam adaptações ou remakes de nenhuma outra mídia. E o terror é o gênero que mais tem suprido essa demanda.
Os Pecadores é um daqueles filmes que não se prendem ao gênero. É terror, suspense, drama, musical, tem um pouco de ação, consegue ser cult e popular ao mesmo tempo, tem uma pitadinha de trash e blaxploitation. Ver esse filme fazendo bilheteria e conquistando a critica mundial foi uma das melhores coisas da cultura pop em 2025.
O filme é uma carta de amor a música e a cultura negra, da forma mais criativa e audaciosa possível. Deixa explicito o racismo e a apropriação cultural, sem ser panfletário. Aponta o dedo pra supremacista branco, no período mais propicio a volta da Ku Klux Klan da história recente dos Estados Unidos.
Com anti-heróis como protagonistas, ótimos diálogos e personagens ao mesmo tempo muito autênticos e caricatos, o filme lembra levemente Um Drink No Inferno (1996), mas com muito mais consistência e estilo.
05 - Oeste Outra Vez - Érico Rassi
Outro filme nacional, lançado nos festivais em 2024, mas que só chegou aos cinemas em meados de 2025. Essa distancia entre o lançamento oficial e o lançamento comercial, evidencia a dificuldade de distribuição do cinema brasileiro. Porém Oeste Outra Vez se saiu muito melhor que Os Enforcados.
É um filme bem simples, mas com uma proposta muito interessante, de ser protagonizado apenas por homens. O que faz da ausência feminina, um personagem.
Filmado no sertão de Goiás, esse Western moderno com elementos de comedia de erros, conta a história de um homem que contrata um pistoleiro idoso para matar o cara que “roubou” sua esposa.
O filme trata das relações masculinas, da violência e como os homens lidam com seus sentimentos. Um filme sensível, melancólico e engraçado ao mesmo tempo.
04 - Uma Batalha Após a Outra - Paul Thomas Anderson
Admito que eu não sabia o que esperar desse filme e não sei o que dizer sobre ele.
É um filme um pouco no sense, que brinca com temas importantes, sem se levar muito a sério. É um drama/suspense muito engraçado e um inquietante. Um filme que equilibra perfeitamente a tensão, a comédia, o desconforto e, o porque não, tesão.
Temos uma crescente, um senso de urgência e uma quebra de expectativa a cada cena. É bem filmado e criativo, como só o Paul Thomas Anderson poderia fazer. Talvez seu melhor filme no quesito ritmo. Sua conclusão tem uma das melhores cenas de perseguição dos últimos anos. E seu inicio tem algumas das melhores de sacanagem também. É cinema feito de pau duro!
Leonardo DiCaprio está em uma das melhores performances de sua carreira. Teyana Taylor, um espetáculo. Benicio del Toro, excelente como sempre. E Sean Penn como o vilão do ano, completamente surtado.
03 - Foi Apenas Um Acidente - Jafar Panahi
Alguns filmes tem o poder de nos fazer questionar as nossas próprias convicções.
Em Foi Apenas Um Acidente, filme francês dirigido pelo iraniano Jafar Panahi, somos confrontados pelo desejo de vingança, pela violência e suas consequências.
Uma história politica e atual, sobre resistência, responsabilidade e perdão.
Acompanhamos um cara comum, que ao esbarrar no homem que o torturou, tem de decidir se irá mata-lo e se igualar a ele, ou se seguirá em frente, com todos os seus traumas e o medo.
Vemos como a violência propagada por um estado autoritário afeta a vida de pessoas comuns, tornando-as pessoas quebradas e assustadas. Uma reflexão sobre a impunidade e responsabilidade dos indivíduos que contribuem e perpetuam o sistema.
Uma obra angustiante, sensível e revoltante, mas que fez a sala de cinema que eu estava gargalhar em muitos momentos.
02 - O Agente Secreto - Kleber Mendonça Filho
UM FILMAÇO! Um daqueles filmes que quanto mais eu penso, mais eu gosto dele.
Kleber Mendonça Filho, sabe contar uma história inteligente, politica e questionadora da forma mais descolada possível.
Um filme cru e realista, mas com momentos lúdicos e abstratos. Cheio de personagens marcantes, com uma narrativa fragmentada e não linear, diálogos e tramas que nem sempre se conectam, mas que enriquecem a identidade do filme.
Uma identidade muito brasileira, mas que não tem medo de se apropriar da cultura de outros lugares e somar as nossas referencias. Referencias essas que o diretor deixa bem explicitas ao homenagear o cinema hollywoodiano dos anos 70.
Ao mesmo tempo em que O Agente Secreto é o filme mais brasileiro do ano, ele tem uma assinatura tão própria, que não se parece com nada produzido aqui no mesmo período. Kleber Mendonça é um diretor tão versátil, que o filme nem se parece muito com seus filmes anteriores, como Bacurau (2019) e O Som ao Redor (2012).
A fotografia e a direção de arte são maravilhosas. Fiquei totalmente imerso naquele contexto de Recife dos anos 70. A trilha sonora é incrível, e fica na cabeça por um bom tempo, e o clima de tensão e suspense pairam cada cena. O filme não precisa ser expositivo ao falar sobre a ditadura, pois ele nos transporta pra ela.
Citei aqui as cenas de ação/perseguição dirigidas por Paul Thomas Anderson e Ari Aster, mas a catarse entregue por Kleber Mendonça nos minutos finais de O Agente Secreto é insuperável.
Mas, se eu precisasse escolher um elemento para ser o destaque do filme, eu escolheria os personagens. Personagens tão bem dirigidos e atuados, que ao mesmo tempo que são incrivelmente caricatos, são muito realistas. Todo brasileiro já cruzou com algumas daquelas figuras pelo menos uma vez na vida.
Mas e ai, raparigou ou não raparigou?
01 - A Única Saída - Park Chan-Wook
Park Chan-Wook, também conhecido como “O homem que nunca errou”. É o diretor de alguns dos MELHORES filmes do século XXI. O clássico Old Boy (2003) e sua triologia da vingança são alguns dos melhores filmes que eu já vi em toda a minha vida. Filmes impactantes até para os padrões do cinema sul-coreano.
Em No Other Choice, temos um homem de classe média alta, que ao perder seu emprego, numa fábrica de papel, é levado pelo desespero a tomar medidas drásticas. Park Chan-Wook, faz uma reflexão sobre a empatia, o orgulho e a violência de pessoas comuns, fazendo coisas horríveis.
Assim como o ganhador do Oscar, Parasita (2019), o filme faz duras criticas aos problemas sociais e econômicos da Coreia do Sul. Vemos as consequências do capitalismo e suas logicas de trabalho desumanas, a busca por uma produtividade inalcançável e a mentalidade de autoaperfeiçoamento constante pela qual as pessoas são cobradas. Vemos como as incertezas financeiras afetam as famílias, as relações amorosas, os status sociais, a moral e autoestima das pessoas.
Mas mesmo com todas essas criticas, o filme está longe de ser uma obra amargurada ou ressentida com o mundo. O diretor consegue extrair beleza, poesia e humanidade dos momentos mais desesperadores e sem esperança daqueles personagens.
Uma história sobre a decadência da classe média e sobre homens que fizeram do trabalho o sentido de suas vidas. Como os fabricantes de papel do filme, que encontram a beleza e a tristeza em seu oficio.
Esses foram os filmes que mais gostei ao longo de 2025. Um ano muito bom, em que eu fiquei muito satisfeito com os rumos criativos do cinema. Para 2026, quero ver ainda mais filmes, e quem sabe trazer uma lista menos previsível para vocês aqui no Substack?!
Deixe seu ranking pessoal ai nos comentários, para que eu possa discordar ou pegar indicações. Feliz 2026.







