<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Incoerente]]></title><description><![CDATA[Testando o Substack e conferindo se ainda sei escrever.
Falo sobre quadrinhos, filmes e séries quando todo mundo já parou de falar sobre elas.
]]></description><link>https://www.incoerente.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kM4S!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6c2db680-ddf0-4d5a-b836-b2aef3048a13_436x436.png</url><title>Incoerente</title><link>https://www.incoerente.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 15 Apr 2026 01:04:41 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.incoerente.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Samuel Patrian]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[patrian@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[patrian@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Samuel Patrian]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Samuel Patrian]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[patrian@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[patrian@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Samuel Patrian]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Reconsiderações sobre Tropa de Elite]]></title><description><![CDATA[Reatando com um filme maltratado pelo contexto]]></description><link>https://www.incoerente.com/p/reconsideracoes-sobre-tropa-de-elite</link><guid isPermaLink="false">https://www.incoerente.com/p/reconsideracoes-sobre-tropa-de-elite</guid><dc:creator><![CDATA[Samuel Patrian]]></dc:creator><pubDate>Tue, 17 Mar 2026 01:25:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b0b44352-229c-4c47-ab7e-ff81dc944b46_1200x526.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A unanimidade n&#227;o existe. E mesmo quando parece existir, essa impress&#227;o n&#227;o sobrevive ao crivo do tempo. Alguns dos filmes considerados os melhores de sua &#233;poca por muitos, que at&#233; ontem eram obras aclamadas e irretoc&#225;veis, acabam passando por um revisionismo anos depois. Aconteceu com a trilogia <strong>O Senhor Dos An&#233;is</strong>, est&#225; acontecendo com <strong>Matrix</strong>, e h&#225; pelo menos uma d&#233;cada, vem acontecendo com <strong>Tropa De Elite</strong>.</p><p>Muitos s&#227;o os motivos que podem derrubar uma obra audiovisual do seu pedestal. O envelhecimento do p&#250;blico e baixa ades&#227;o das novas gera&#231;&#245;es. O ritmo, que n&#227;o faz mais sentido com os h&#225;bitos de consumo atuais. A est&#233;tica ou os efeitos visuais que ficam datados, ou at&#233; mesmo as <em>fanbases</em>, que de t&#227;o insuport&#225;veis, deixam as obras malvistas. S&#227;o esses os motivos que fazem com que <strong>O Senhor dos An&#233;is</strong> seja considerado brega hoje em dia, <strong>Matrix </strong>seja filosoficamente raso e <strong>Clube da Luta</strong> tenha se tornado um filme de <em>redpill</em>.</p><p>No caso de Tropa de Elite, e aqui focaremos apenas no primeiro filme, n&#227;o foram suas qualidades t&#233;cnicas que o tornaram o patinho feio do cinema nacional nos &#250;ltimos anos. Foram os quase 15 anos de tens&#245;es pol&#237;ticas, crises e o estado dist&#243;pico em que  o mundo se encontra. O contexto tornou esse filme, no m&#237;nimo, indigesto.</p><p>Tropa de Elite &#233; um dos melhores filmes da primeira parte dos anos 2000. Note que eu n&#227;o disse &#8220;um dos melhores filmes nacionais&#8221;, e sim um dos melhores filmes. Hollywood produziu &#243;timos filmes policiais entre 2000 e 2010, e o filme de <strong>Jos&#233; Padilha</strong> &#233; p&#225;reo para todos eles.</p><p>O ritmo, a montagem e suas cenas de a&#231;&#227;o s&#227;o tecnicamente impec&#225;veis. O elenco, &#233; digno de disputar a <strong>categoria de Melhor Escala&#231;&#227;o de Elenco,</strong> criada esse ano no <strong>Oscar</strong>. Com atores perfeitos em seus pap&#233;is e pelo menos uma d&#250;zia de personagens marcantes, que seguem no imagin&#225;rio popular at&#233; hoje. N&#227;o parece que se passou um dia para esse filme de quase 20 anos.</p><p>Por&#233;m, quando falamos de roteiro e de alguns recursos narrativos utilizados, a cr&#237;tica tem um ponto bem claro: o filme erra o tom discursivo, pesa a m&#227;o naquilo que quer expor e utiliza os recursos errados para transmitir suas ideias e inten&#231;&#245;es. Essas quest&#245;es levantadas pela cr&#237;tica (na &#233;poca do lan&#231;amento, e ao longo dos &#250;ltimos 19 anos), somadas ao contexto politico do pa&#237;s e nossa hist&#243;ria recente, minaram a boa vontade de parte das pessoas que falam sobre cinema, em rela&#231;&#227;o a obra prima de Padilha.</p><p>N&#227;o ajuda muito que as obras seguintes do diretor tenham sido, no m&#237;nimo, question&#225;veis. Jos&#233; Padilha cometeu aquele remake sem sal de <strong>Robocop (2014)</strong>, tirando toda a subst&#226;ncia do personagem e vis&#227;o da obra. Em <strong>O Mecanismo (2018 - 2019)</strong> uma das s&#233;ries mais merdas da <strong>Netflix</strong>, ele deturpa fatos para romantizar a opera&#231;&#227;o lava jato e babar ovo de S&#233;rgio Moro e companhia &#8212;  Al&#233;m de ser mal produzida, mal atuada e mal escrita. Tamb&#233;m para a Netflix, Padilha dirigiu os primeiros epis&#243;dios de <strong>Narcos (2015-2017)</strong>, definindo todo o tom e ritmo da produ&#231;&#227;o. Embora, essa sim, seja uma das melhores s&#233;ries da Netflix, ela foi acusada de estereotipar demais personagens e a cultura latina, o que n&#227;o ajuda o curr&#237;culo do diretor.</p><p>Mas &#233; muito f&#225;cil olhar para o filme agora, com o discernimento e a m&#237;nima no&#231;&#227;o que (as vezes) eu tenho e pedir para que olhemos a obra com outros olhos. &#201; muito f&#225;cil, hoje, identificar todos os problemas e m&#233;ritos do filme, conseguir separar uma coisa da outra, e fazer com que gostemos desse filme outra vez, mesmo com as devidas ressalvas. Mas a verdade &#233; que a cada vez que assisto a esse filme, sou impactado positivamente ou negativamente, de uma forma diferente. O que me leva as primeiras vezes que assisti.</p><div><hr></div><p>O ano era 2007. Tropa de Elite ainda n&#227;o havia estreado nas salas de cinema, mas isso n&#227;o o impedia de j&#225; ter sido visto por milhares de pessoas e de ser um fen&#244;meno da cultura pop brasileira. O filme de Jos&#233; Padilha podia n&#227;o estar passando na tela grande, mas j&#225; gerava pol&#234;micas por todo o pa&#237;s. Era assunto nos mais variados n&#237;veis da sociedade, programas de TV, e &#233; claro, estava l&#225;, rodando no nosso aparelho DVD.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg" width="1456" height="819" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:819,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:210526,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.incoerente.com/i/190680989?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qOP6!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1de219ba-5756-469c-9a3c-f4a10fa1cdd3_1568x882.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Meus primos, irm&#227;os e eu, com idades entre 7 e 11 anos, j&#225; hav&#237;amos assistido pelo menos umas tr&#234;s vezes, antes mesmo que a discuss&#227;o de ser um filme violento chegasse nos nossos pais. A nossa empolga&#231;&#227;o era comparada a de assistir a um dos filmes da Marvel, quando a Marvel era empolgante. As m&#250;sicas, a a&#231;&#227;o, as frases de efeito, as frases c&#244;micas, os personagens, era incr&#237;vel! Poucas eram as falas que n&#227;o hav&#237;amos decorado. E essa empolga&#231;&#227;o tamb&#233;m era presente nos adultos (hoje eu entendo o motivo), era o filme da d&#233;cada!</p><p>Por que estou contando isso? Bom, n&#227;o &#233; para questionar o porqu&#234; de um filme desses estar na m&#227;o de crian&#231;as &#8212; embora eu devesse. Tamb&#233;m n&#227;o &#233; para debater sobre a pirataria sem precedentes, que o filme sofreu (isso j&#225; foi debatido a exaust&#227;o na &#233;poca e todos esses debates est&#227;o obsoletos). Mas &#233; porque, recentemente, eu tive a oportunidade de revisitar a obra com algu&#233;m que, inacreditavelmente, nunca havia assistido. E embora, tanto eu quanto a pessoa, tenhamos achado um filme inacredit&#225;vel de bom, poucos filmes foram t&#227;o desconfort&#225;veis quanto esse &#8220;reencontro&#8221; com essa obra que marcou a minha inf&#226;ncia.</p><p>Ao apresentar o filme para algu&#233;m que n&#227;o o assistiu na &#233;poca, fica evidente o quanto o contexto mudou a nossa percep&#231;&#227;o sobre a obra. Seu enredo se tornou ainda mais cruel e at&#233; as frases c&#244;micas (que ainda repetimos em memes e figurinhas de WhatsApp) se tornaram tr&#225;gicas. Chega a ser ir&#244;nico, que o filme tenha me parecido mais brutal hoje do que quando eu tinha 11 anos de idade.</p><p>N&#227;o que em 2007 n&#227;o houvesse questionamentos e discuss&#245;es a respeito do filme e sua vis&#227;o de mundo e pol&#237;tica, houveram muitas. Mas nada se compara a repercuss&#227;o e a dimens&#227;o que as coisas tomaram ao longo dos anos seguintes. Quando o filme foi lan&#231;ado, esses debates eram pautados apenas pela m&#237;dia tradicional. Muito se falava sobre a viol&#234;ncia gr&#225;fica e sobre as a&#231;&#245;es policiais tomadas no filme, sobre seu protagonista pol&#234;mico ou como o filme era &#8220;realista&#8221;.</p><p>Os acontecimentos dos anos seguintes e o surgimento das redes sociais (a internet era s&#243; um rascunho em 2007) foi o que fizeram com que o filme fosse dissecado e confrontado a exaust&#227;o e que surgisse um sentimento de rejei&#231;&#227;o ao longo dos anos. Criadores de conte&#250;do (odeio esse termo), cin&#233;filos, cr&#237;ticos e entusiastas passaram a evitar o filme, deixando-o fora de suas listas e guias de consumo, por consider&#225;-lo um filme fascista. O que eu j&#225; adianto, &#233; um r&#243;tulo bem simpl&#243;rio e equivocado, um carma que o filme herdou com o passar dos anos. </p><p>O contexto e a pol&#237;tica do nosso pa&#237;s evidenciou o sentimento punitivista que a nossa sociedade possu&#237;a, e ainda possui. O cidad&#227;o de bem, al&#233;m de um total desprezo pelos direitos humanos, possui quase um fetiche pela vingan&#231;a e puni&#231;&#227;o, mesmo sabendo da inefic&#225;cia de tais m&#233;todos. Basta lembrar da fixa&#231;&#227;o e da expectativa que o p&#250;blico tinha na continua&#231;&#227;o direta e imediata de Tropa de Elite, que mostraria o rosto do traficante Baiano, desfigurado por um tiro de calibre 12. Era quase uma lenda urbana que o segundo filme come&#231;aria com tal cena (e muitos ficaram decepcionados por n&#227;o ter). Muitos document&#225;rios, compilados de opera&#231;&#245;es policiais e filmes amadores de mesmo tema, foram vendidos como se fossem uma continua&#231;&#227;o, ou anunciados como &#8220;mais violento que Tropa de Elite&#8221;. </p><p>Outra discuss&#227;o &#224; qual a obra seria amplamente submetida, &#233; a quantidade de crimes que o protagonista e &#8220;her&#243;i&#8221; do filme, <strong>Capit&#227;o Nascimento</strong>, comete ao longo de 1H58 de filme. Tortura, assassinato, abuso de autoridade e viola&#231;&#227;o dos direitos humanos, s&#243; para citar alguns. Crimes cometidos por um personagem que se coloca acima da lei e da justi&#231;a, em nome de um moralismo m&#237;ope, baseado em um fragmento da realidade. Nascimento &#233; o cl&#225;ssico homem comum com uma miss&#227;o, e n&#227;o h&#225; nada mais perigoso que um homem comum com uma miss&#227;o. Um <strong>Charles Bronson</strong> tupiniquim, mas dentro do funcionalismo p&#250;blico e com o armamento do estado a sua disposi&#231;&#227;o.</p><p>&#201; claro que existem muitos outros personagens da cultura pop que possuem os mesmos problemas que Nascimento. Oitenta por cento dos &#237;cones hollywoodianos cometem os mesmos crimes que o nosso protagonista. Na maioria dos casos, s&#227;o personagens motivados claramente por vingan&#231;as pessoais e que s&#227;o tratados nas obras como psicologicamente inst&#225;veis. Comportamentos inadmiss&#237;veis no caso de um agente e representante da lei, como Nascimento. Talvez o mais pr&#243;ximo seja o personagem <strong>Harry Callahan</strong> na s&#233;rie de filmes <strong>Dirty Harry</strong>, um policial linha dura de S&#227;o Francisco. Mas <strong>Clint Eastwood</strong> era apenas um homem, enquanto em tropa de elite, &#233; toda uma for&#231;a policial agindo assim.</p><p>Nos quadrinhos, a Marvel tem sofrido com um dilema parecido. O <strong>Justiceiro (Punisher)</strong> foi muito afetado pelo contexto pol&#237;tico dos &#250;ltimos anos e adotado por grupos extremistas. Mesmo sendo um personagem que na maioria de suas hist&#243;rias &#233; tratado como insano, desequilibrado e perigoso, a editora ficou entre aposent&#225;-lo ou adotar uma outra abordagem, o desvinculado das autoridades legais. As armas de fogo foram trocadas por espadas e laminas, a cl&#225;ssica caveira no peito foi descaracterizada, tudo para amenizar o que o personagem passou a representar.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!AH_h!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff90f6023-8b2e-47a2-82c5-7b12b6d3d8d2_1000x1537.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!AH_h!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff90f6023-8b2e-47a2-82c5-7b12b6d3d8d2_1000x1537.webp 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>Por volta de 2022, o editorial da Marvel promoveu um rebranding do personagem, capitaneado por Jason Aaron, </em>Jes&#250;s Saiz e Paul Azaceta. N&#227;o durou muito, mas a mudan&#231;a do logo repercutiu bastante.</figcaption></figure></div><p>Embora eu n&#227;o compre a guerra cultural em que Tropa de Elite foi envolvido, eu concordo com todas as cr&#237;ticas feitas ao filme e a dire&#231;&#227;o, mesmo que algumas dessas sejam afetadas pelo contexto e por certa ideologia. Eu concordo que Jos&#233; Padilha erra ao retratar um personagem como Capit&#227;o Nascimento de forma heroica e messi&#226;nica. Como algu&#233;m que entendeu e decifrou o &#8220;sistema&#8221; e o coloca como um detentor da verdade, em uma narra&#231;&#227;o em off presun&#231;osa e onisciente que permeia todo o filme &#8212; mais um erro que se repetiria em O Mecanismo.</p><p>O diretor tamb&#233;m escolheu uma simplifica&#231;&#227;o c&#237;nica, quando tratou o &#8220;sistema&#8221; como uma entidade e, pelo menos no primeiro filme, n&#227;o deu muito nome aos bois que fazem esse sistema. Em muitos momentos, o filme &#233; sim apenas um estere&#243;tipo de a&#231;&#227;o do Rio de Janeiro e da seguran&#231;a p&#250;blica Brasileira. </p><p>Mas ainda assim, existe um revisionismo injusto e uma m&#225; vontade em rela&#231;&#227;o ao filme. Embora eu seja MUITO a favor de analisar e dissecar as obras politicamente, criticando vis&#245;es e abordagens, eu tamb&#233;m tento n&#227;o atribuir ao cinema, uma obriga&#231;&#227;o e um fardo, que quando n&#227;o atingidos, tornam automaticamente em um filme ruim. Talvez se n&#227;o fossem esses recursos, que hoje consideramos err&#244;neos, como a narra&#231;&#227;o por exemplo, o filme n&#227;o funcionasse e nem estar&#237;amos falando sobre ele em 2026.</p><p>No segundo filme, de 2010, <strong>Tropa de Elite II - O Inimigo Agora &#233; Outro</strong>, o diretor parece levar a hist&#243;ria para um outro caminho, amenizando ou compensando algumas coisas que foram criticadas no primeiro filme. O Resultado? Outro filma&#231;o. Mas sem sutilezas, presun&#231;oso e com alguns ru&#237;dos que fez com parte do p&#250;blico simpatizasse com a mil&#237;cia que o filme tenta criticar.</p><p>Assistir a Tropa de Elite tantos anos depois, &#233; sempre uma experi&#234;ncia agridoce. &#201; um filme incr&#237;vel, mas desconfort&#225;vel. &#201; um filme bem simples, quando analisamos friamente, mas para o bem ou para o mal, ele &#233; impactante como poucos filmes conseguem ser. Devemos fazer desse desconforto um ponto de reflex&#227;o, ao inv&#233;s de simplesmente rotular a obra como isso ou aquilo. </p><p>Tropa de Elite &#233; uma das obras mais importantes e grandiosas do cinema nacional, sobretudo pela visibilidade que trouxe para nossas produ&#231;&#245;es. O filme erra em muitos aspectos, trope&#231;a no contexto do pa&#237;s, possui incongru&#234;ncias que devem ser apontadas, mas nunca ser&#225; um filme ruim por conta disso. Pois o filme erra em coisas que um filme n&#227;o tem a obriga&#231;&#227;o de acertar.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Escrevendo no Pelo]]></title><description><![CDATA[Divaga&#231;&#245;es sobre escrita, Intelig&#234;ncias artificiais e uma internet mais humana]]></description><link>https://www.incoerente.com/p/escrevendo-no-pelo</link><guid isPermaLink="false">https://www.incoerente.com/p/escrevendo-no-pelo</guid><dc:creator><![CDATA[Samuel Patrian]]></dc:creator><pubDate>Fri, 06 Mar 2026 18:10:56 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Zypm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F73c80c54-63dd-4d91-a282-521c6dd44c62_800x600.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu n&#227;o me considero um escritor. Nem acho que escrevo muito bem, eu no m&#225;ximo sou alfabetizado. Mas eu escrevo mesmo assim.</p><p>Embora eu n&#227;o saiba o que &#233; uma ox&#237;tona ou uma parox&#237;tona, n&#227;o entenda muito bem o uso da crase e ainda n&#227;o tenha adotado o novo acordo ortogr&#225;fico (que j&#225; tem quase 20 anos), eu me viro. Eu sei me comunicar razoavelmente bem, meus e-mails do trabalho s&#227;o compreendidos e acho que n&#227;o irrito ningu&#233;m com meus erros gramaticais no zap. </p><p>S&#227;o algumas coisas que eu devia ter aprendido na escola e que agora eu sou acomodado demais para aprender. Vou driblando a gram&#225;tica, n&#227;o por desprezo a l&#237;ngua portuguesa, que acho bel&#237;ssima, e sim porque sou meio pregui&#231;os&#227;o mesmo. Meu estilo de escrita &#233; 90% <em>feeling </em>e 10% gram&#225;tica. </p><p>As vezes eu coloco virgulas onde deveria ter um ponto final e sou meio verborr&#225;gico, mas vou levando. Se eu n&#227;o souber escrever Ter&#231;a-Feira, eu mudo a reuni&#227;o para a Quarta. Mas eu me recuso a recorrer as famigeradas <strong>Intelig&#234;ncias Artificiais</strong>. &#8212; T&#225;, eu sei que estou usando uma neste momento com o corretor ortogr&#225;fico do celular, eu n&#227;o sou inocente. Mas voc&#234; entendeu!</p><p>N&#227;o me entenda mal, eu n&#227;o sou totalmente contra o uso das <strong>IAs Generativas</strong>. Eu acho que elas v&#227;o meter o planeta e a humanidade no rabo? Acho. Mas n&#227;o &#233; algo que d&#225; para voltar atr&#225;s. N&#227;o h&#225; muito o que possamos fazer, a n&#227;o ser entender, contextualizar e lutar por um avan&#231;o minimamente saud&#225;vel e regulamentado.</p><p>Sei que as IAs representam um avan&#231;o incalcul&#225;vel no campo tecnol&#243;gico, um avan&#231;o comparado com a cria&#231;&#227;o da pr&#243;pria internet. E para algumas profiss&#245;es, elas tem sido bem uteis no dia a dia, mas eu as deixo bem longe dos meus textos.</p><p>Pessoalmente, eu nem consigo achar muita fun&#231;&#227;o para uma IA generativa. Uso levemente o <strong>Copilot </strong>(IA da <strong>Microsoft</strong>, que roda com o motor do <strong>ChatGPT </strong>e est&#225; integrado com todo o pacote Office) que organiza meus e-mails, monta cronogramas, localiza arquivos, me lembra f&#243;rmulas do Excel, e sim, at&#233; me ajuda com algumas d&#250;vidas sobre gram&#225;tica, mas n&#227;o passa disso.</p><p>Textos escritos por IA, seja o <strong>ChatGPT</strong>, <strong>Copilot</strong>, <strong>Claude </strong>ou aquela tranqueira de <strong>Gemini</strong>, sempre me causam um estranhamento. Sempre que leio algum, percebo algo diferente. E sinto que sou bom o suficiente para dizer que tem algo errado, mas n&#227;o t&#227;o bom a ponto de dizer o que est&#225; errado. Os textos s&#227;o gramaticalmente impec&#225;veis, bem estruturados e com um vocabul&#225;rio infinito. Ainda assim, s&#227;o em sua maioria gen&#233;ricos, rasos e sempre parece faltar ou sobrar alguma coisa. S&#227;o conjuntos de frases que n&#227;o possuem voz, pois uma IA n&#227;o pode se posicionar a respeito de nada, enquanto at&#233; o mais imparcial dos textos feito por um humano sempre ter&#225; um vi&#233;s.</p><p>&#201; claro que &#233; aceit&#225;vel usar o chat GPT para textos meramente t&#233;cnicos, institucionais ou instrucionais. Ele &#233; muito bom em descrever, resumir ou orientar processos e passar instru&#231;&#245;es claras. Tamb&#233;m sou emp&#225;tico com quem usa a IA como um grande gerador de lero-lero. &#201; uma &#243;tima ferramenta para perfumar aquele e-mail de trabalho e n&#227;o soar grosseiro com um cliente, pra fazer aquele text&#227;o de agradecimento ou de encerramento de ciclo pra farmar uns likes por ai.</p><p>Por&#233;m, eu defendo que as pessoas devem ser capazes de escrever esses tipos de coisas  sozinhos. Escrever esses textos &#8220;chatos&#8221; e se desafiar a descrever processos, t&#233;cnicas ou instru&#231;&#245;es, pode ajudar a sua escrita autoral, art&#237;stica e criativa. Esse tipo de escrita ensina, principalmente, a editar um bom texto. Ensina a cortar, resumir e ser mais objetivo &#8212; coisas que eu devia treinar mais, inclusive, esse post est&#225; enorme.</p><p>O &#250;nico lugar onde o texto do ChatGPT &#233; 100% &#233;tico, belo e moral, e onde eu defendo seu uso a exaust&#227;o &#233; o <strong>LinkedIn</strong>. Vamos escaralhar aquele lugar com textos que ningu&#233;m quer escrever, para um p&#250;blico onde ningu&#233;m quer ler, numa rede social onde ningu&#233;m quer estar. Venceremos.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp" width="728" height="379.1666666666667" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:400,&quot;width&quot;:768,&quot;resizeWidth&quot;:728,&quot;bytes&quot;:19608,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/webp&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.incoerente.com/i/183057165?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!N-y-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff25f5a5c-836e-441f-9bb7-e618629fa963_768x400.webp 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Mas eu n&#227;o sou um alarmista que acha que o mundo vai acabar por causa da intelig&#234;ncia artificial. Afinal, as coisas j&#225; estavam se encaminhando para isso. Tudo j&#225; estava indo pro caralho antes de 2022, ano do surgimento do ChatGPT. Acredito que as IAs sejam apenas a ferramenta da vez, algo que vai acelerar um pouquinho o colapso humano, social e ambiental, mas s&#243; por um tempo. Logo vamos inventar algo ainda mais potente, que vai nos deixar morrendo de saudade de um <em>datacenter </em>da <strong>OpenAI</strong>.</p><p>Talvez a pr&#243;pria IA colapse antes. Economicamente, o sistema &#233; falho. &#201; uma bolha que vai estourar em breve e que ainda n&#227;o gera retorno sobre os altos investimentos. &#201; um clubinho de seis empresas que ficam passando dinheiro de uma pra outra, gerando escassez de componentes, inflando pre&#231;os, reinvestindo e especulando, enquanto voc&#234; n&#227;o consegue trocar uma placa de v&#237;deo pra jogar Euro Truck.</p><p>Conceitualmente ela tamb&#233;m &#233; falha. Elas aprendem com as intera&#231;&#245;es humanas, com o conte&#250;do criado por humanos, por&#233;m&#8230; quase 80% da internet j&#225; &#233; conte&#250;do morto, criado por IAs. Tal qual uma cobrinha comendo o pr&#243;prio rabo, as IAs se alimentam do lixo produzido por elas mesmas. &#201; lindo.</p><p>Al&#233;m disso, o excesso. Ningu&#233;m usa tanto a IA quanto eles acham que vamos usar. Alguns profissionais v&#227;o ser mais produtivos com elas (outros rodaram), mas a maioria das atividades ainda n&#227;o tem espa&#231;o ou aplica&#231;&#227;o para encaixar uma IA. Se as IAs parassem hoje, fora pelo colapso econ&#244;mico, as pessoas seguiriam suas vidas normalmente.</p><p>As pessoas normais, usam o corretor do celular, o ChatGPT pra pesquisar sobre aquela verruga estranha na virilha ou o para fazer um v&#237;deo do Lula na praia de m&#227;os dadas com o Bolsonaro, mas a IA n&#227;o faz parte de suas vidas. Ningu&#233;m precisa de um bot de IA pra comprar camisetas num site, ningu&#233;m precisa de uma IA rodando na geladeira e, eu espero, que ningu&#233;m precise de uma conversa com a Meta IA no <strong>WhatsApp</strong>. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Zypm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F73c80c54-63dd-4d91-a282-521c6dd44c62_800x600.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Zypm!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F73c80c54-63dd-4d91-a282-521c6dd44c62_800x600.webp 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Talvez eu esteja sendo hip&#243;crita e essa imagem seja IA. Mas ela &#233; t&#227;o boa. Me deixa.</figcaption></figure></div><p>Mas voltando ao racioc&#237;nio inicial. Eu acredito que escrever &#233; um ato de resist&#234;ncia. &#201; uma das formas de express&#227;o mais humanas que existem. &#201; feeling, &#233; autoconhecimento e um aprendizado constante. E eu n&#227;o vou usar o ChatGPT, pois eu aceito que meus textos tenham erros, mas n&#227;o aceito que eles n&#227;o tenham alma. At&#233; quando o texto fica ruim, ele tem algo nosso. Texto &#233; personalidade, &#233; bagagem, &#233; voz.</p><h4>Mas, por que continuar escrevendo se as pessoas n&#227;o leem?</h4><p>Afirmar que as pessoas n&#227;o leem &#233; um posicionamento t&#227;o ~facebook 2015. </p><p>As pessoas leem, talvez n&#227;o sejam tantos quanto os que assistem <strong>TikTok</strong>, mas as que leem, fazem isso de verdade. Elas discutem, complementam, revisitam o texto ou discordam intensamente. N&#227;o &#233; um consumo passivo. A maior prova disso &#233; o sucesso de redes sociais que priorizam o texto, como o <strong>Substack </strong>e as <strong>newsletters</strong>, e algumas tentativas anteriores como foram o <strong>Medium </strong>e o <strong>Wattpad</strong>.</p><h4>Para um produtor de conte&#250;do &#8212; e como eu odeio esse termo &#8212;porque n&#227;o migrar pro v&#237;deo ou pro podcast logo?</h4><p>Primeiro, e mais &#243;bvio, &#233; que s&#227;o linguagens diferentes, p&#250;blicos diferentes e finalidades diferentes. Mas tamb&#233;m tem os custos de produ&#231;&#227;o e os h&#225;bitos de consumo, que est&#227;o em constante mudan&#231;a e s&#227;o c&#237;clicos. Abandonar um formato ou m&#237;dia, s&#243; porque tem mais ou menos p&#250;blico, pode n&#227;o soar verdadeiro, ou simplesmente n&#227;o dar certo, pois tudo muda cada vez mais r&#225;pido. </p><p>O que faz sucesso no <strong>YouTube </strong>n&#227;o s&#227;o mais os v&#237;deos ensaios, cheio de edi&#231;&#245;es ou as esquetes do porta dos fundos, que dominaram alguns anos atr&#225;s. At&#233; a era dos podcasts de mesa e <em>reacts </em>passou. Agora s&#227;o os bons e velhos vlogs, pessoas mostrando suas rotinas ou fazendo lives de quatro horas, conversando diretamente com seu p&#250;blico.</p><p>Esse fen&#244;meno ocorrendo no YouTube, &#233; um &#243;timo ind&#237;cio para o texto e contra as Intelig&#234;ncias Artificiais. Demonstra que as pessoas est&#227;o preferindo coisas mais simples e diretas. O p&#250;blico pode at&#233; abra&#231;ar esse conte&#250;do hipnotizante por um tempo, por&#233;m ele sempre sentir&#225; falta de um contato mais humano. </p><p>O mesmo vale para os podcasts, que n&#227;o s&#227;o mais recheados de vinhetas, edi&#231;&#245;es ou virgulas sonoras. S&#227;o s&#243; bate papo, sem muitos cortes e sem m&#250;sicas pois o Spotify restringe. </p><p>Essa busca do humano pelo humano, &#233; subconsciente. Tudo o que nos incomoda agora com os &#8220;conte&#250;dos&#8221; criados por IA, v&#227;o passar a incomodar cada vez mais e mais pessoas, n&#227;o importa o quanto as empresas refinem e aperfei&#231;oem essas ferramentas.</p><p>No fim, essa aposta nas IAs, &#233; tamb&#233;m um reflexo do desespero das empresas de tecnologia com a eminente decad&#234;ncia das redes sociais. Uma quantidade consider&#225;vel de pessoas vai embora toda vez que elas lan&#231;am uma atualiza&#231;&#227;o. </p><p>Os influencers, j&#225; n&#227;o vendem e n&#227;o seguram o p&#250;blico como antes. O Instagram ficou totalmente impessoal e recheado de publicidade. O TikTok, virou um grande deposito de v&#237;deos reaproveitados de outros lugares ou perfis de IA vendendo no TikTok Shop. No Twitter, s&#243; restou post patrocinado de bets, bots de criptomoedas e o kiko nazista, colocando todas as fichas na sua pr&#243;pria IA nojenta que faz deepfake de menor de idade.</p><p>Eu n&#227;o sei como concluir esse texto, se eu tivesse jogado no ChatGPT eu saberia. Estou tentando terminar de forma otimista, ou pelo menos n&#227;o soar como a trombeta do apocalipse. </p><p>Sobre o texto, eu posso dizer que: O texto nunca vai morrer, assim como o cinema n&#227;o morreu pra TV. De novo, as newsletters s&#227;o exemplos disso. </p><p>N&#227;o acho que vai ficar tudo bem, ainda tamo tudo fudido. Mas acho as coisas n&#227;o v&#227;o se desenrolar como esses gurus neoliberais afirmam. O comportamento humano &#233; imprevis&#237;vel demais mesmo com trilh&#245;es de d&#243;lares sendo investidos contra ele.<br><br>No final, as <em>bigtechs </em>ainda v&#227;o lucrar, o planeta ainda vai pro cacete, pessoas ainda v&#227;o perder os empregos enquanto outros vendem &#8220;produtividade&#8221;.  Ainda precisaremos nosso tempo de tela e dormir 8h por noite e o capitalismo ainda vai nos impedir.</p><p>J&#225; eu, vou me manter escrevendo, sem o uso de IA, tentando manter a sanidade enquanto rolo o feed do TikTok, prometendo pela mil&#233;sima vez que vou postar com mais frequ&#234;ncia aqui no <strong>Incoerente</strong>. Eu sugiro que voc&#234; fa&#231;a o mesmo.</p><p>Quanto ao p&#250;blico? Escreva e eles vir&#227;o.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Os 12 melhores filmes de 2025, segundo o Incoerente]]></title><description><![CDATA[Foi um ano muito bom para escolher apenas 10.]]></description><link>https://www.incoerente.com/p/os-12-melhores-filmes-de-2025-segundo</link><guid isPermaLink="false">https://www.incoerente.com/p/os-12-melhores-filmes-de-2025-segundo</guid><dc:creator><![CDATA[Samuel Patrian]]></dc:creator><pubDate>Sat, 17 Jan 2026 02:08:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No geral, eu n&#227;o gosto muito de ranquear cultura. At&#233; curto listas de consumo, mas n&#227;o dou tanta import&#226;ncia para a posi&#231;&#227;o em que cada obra ocupa ou a hierarquia disso. At&#233; porque, eu sou meio indeciso, e provavelmente vou discordar do meu pr&#243;prio ranking daqui uma semana.</p><p>Mas no caso dos melhores do ano, acho legal revisitarmos nossas listas, ou tentar puxar na mem&#243;ria os filmes que vimos ao longo do ano. Principalmente aqueles do primeiro semestre, que acabam prejudicados ou esquecidos no rol&#234;, at&#233; nas premia&#231;&#245;es.</p><p>Em 2025, minha rela&#231;&#227;o com o cinema foi maravilhosa! Foi o ano em que menos tivemos filmes da <strong>Marvel</strong>, o que eu acho &#243;timo. E os filmes de super-her&#243;is, no geral, deram uma reduzida. Foi o ano que o cinema nacional botou geral pra mamar. Foi o ano em que mais fui ao cinema em toda a minha vida, inclusive para assistir alguns cl&#225;ssicos que foram relan&#231;ados ou, filmes completamente diferentes do que costumo ver. E sem querer me gabar, eu vi 160 filmes esse ano. Desses, 55 foram lan&#231;ados em 2025. Palmas para mim.</p><p>Alguns, eu queria muito ter visto a tempo de considerar nessa lista, mas n&#227;o deu. <strong>Marty Supreme</strong> e <strong>Valor Sentimental</strong>, que eu vou acabar assistindo no per&#237;odo de premia&#231;&#227;o do <strong>Oscar</strong>. Outros que eu gostaria de ter visto s&#227;o <strong>A Longa Marcha</strong>, adapta&#231;&#227;o do <strong>Stephen King</strong>; <strong>Bailarina</strong>, spin off de <strong>John Wick</strong>, que &#233; uma farofa que eu aprecio demais; e o remake de <strong>Running Man</strong>, pelo <strong>Edgar Wrigh</strong>t. Tamb&#233;m fiquei devendo <strong>O Ultimo Azul</strong>, que todos que assistiram sa&#237;ram rasgando elogios. </p><p>Em 2025 tamb&#233;m tivemos filmes muito divertidos, que n&#227;o s&#227;o t&#227;o bons a ponto de estar em nenhum ranking, mas que valeram o ingresso pago. <strong>Lilo &amp; Stitch</strong> e <strong>Como Treinar o Seu Drag&#227;o</strong>, com a <strong>Disney</strong> e a <strong>DreamWorks</strong> jogando no seguro nas adapta&#231;&#245;es. <strong>Karat&#234; Kid: Legends</strong>, que tentou surfar no final de <strong>Cobra Kai</strong>, mas tamb&#233;m tentou algo novo, para al&#233;m da nostalgia. E, um dos mais divertidos do ano, <strong>Premoni&#231;&#227;o 6: La&#231;os de Sangue</strong>. Um trash gostoso, como s&#243; o come&#231;o dos anos 2000 poderia ter criado.</p><p>Tivemos as bombas tamb&#233;m. <strong>Capit&#227;o Am&#233;rica 4</strong>, <strong>Quarteto Fant&#225;stico</strong> e <strong>Thunderbolts</strong>, que geral elogiou, mas eu achei UM DOS FILMES MAIS CHATOS JA FEITOS. Tivemos tamb&#233;m <strong>Avatar 3 - Fogo e Cinzas</strong>, que al&#233;m de chato &#233; repetitivo. E, o filme que levei a patroa pra assistir e isso quase custou o meu noivado: <strong>Miss&#227;o Imposs&#237;vel 8</strong>, ou <strong>Acerto de Contas Parte 2</strong>. Que filme ruim! Desculpa moz&#227;o.</p><p>Dito isso, vamos ranquear filmes! Provavelmente voc&#234; ir&#225; discordar completamente da minha lista e da maioria dos t&#237;tulos que v&#227;o aparecer por aqui. O que eu acho &#243;timo! Assim voc&#234; pode fazer sua pr&#243;pria lista ai nos coment&#225;rios, e quem sabe, me apresentar filmes diferentes, lan&#231;ados em 2025. </p><h2>12 - Os Enforcados - Fernando Coimbra</h2><p>Jogo do bicho, safadeza, trairagem e suspense de qualidade. N&#227;o preciso dizer mais nada.</p><p><strong>Leandra Leal</strong> e <strong>Irandhir Santos</strong> protagonizam uma obra Shakespeariana em Nova Igua&#231;u. Um bicheiro falido e sua esposa, planjam um golpe na alta c&#250;pula do jogo do bicho do Rio de Janeiro e acabam entrando em uma espiral de viol&#234;ncia e paranoia. </p><p>Um filme pesado, tenso, mas com uma produ&#231;&#227;o super simples e um ritmo de dar inveja aos filmes dos irm&#227;os <strong>Safdie</strong>. <strong>Fernando Coimbra</strong> tamb&#233;m &#233; o diretor de <strong>O Lobo Atr&#225;s da Porta (2013)</strong>, e mostrou que sabe fazer filmes impactantes.</p><p><strong>Os Enforcados</strong> teve sua estreia em 2024, no <strong>Festival de Toronto</strong>, por&#233;m s&#243; chegou aos cinemas no final de 2025. Talvez essa demora tenha prejudicado bastante a repercuss&#227;o do filme e o deixado de fora das listas de melhores do ano. Mas aqui n&#227;o.</p><p>Um destaque para o titulo em ingl&#234;s: <strong>Carnival is Over.</strong></p><h2>11 - Eddington - Ari Aster</h2><p>Outro esnobado. Do mesmo cara de <strong>Midsommar </strong>e <strong>Heredit&#225;rio</strong>, esse thriller/faroeste protagonizado por <strong>Joaquin Phoenix, Emma Stone e Pedro Pascal</strong>, n&#227;o est&#225; nem sendo cotado para as premia&#231;&#245;es.</p><p>Mesmo n&#227;o sendo um filme de terror, como os anteriores do diretor, <strong>Ari Aster</strong> sabe como fazer um cinema incomodo. Um filme onde todos os personagens (eu disse TODOS), s&#227;o pessoas horr&#237;veis; Onde os temas causam v&#225;rios gatilhos com a nossa hist&#243;ria recente e; Que far&#225; voc&#234; mudar de ideia sobre ele diversas vezes ao decorrer da trama.</p><p>Eu n&#227;o sou capaz de escrever uma sinopse pra ele, mas posso dizer em que per&#237;odo se passa e os acontecimentos que impactam a trama: se passa em 2020, tem covid, <em>big techs</em>, redes sociais, <em>black lives matter</em> e viol&#234;ncia policial, conspiracionistas, elei&#231;&#245;es, Trump, <em>fake news</em>, armamentistas e uma seita. Boa sorte.</p><p>A divulga&#231;&#227;o do filme foi p&#233;ssima, a concorr&#234;ncia foi forte e ele ficou pouqu&#237;ssimo tempo em cartaz. Por&#233;m esse &#233; um dos filmes mais bem dirigidos do ano. Um <strong>New-Westen</strong> de respeito, criativo e com uma das melhores sequencias de a&#231;&#227;o do ano.</p><h2>10 - Homem com H - Esmir Filho</h2><p>Eu n&#227;o gosto de cinebiografias. Muito menos cinebiografias de cantores. Ainda mais cinebiografias de cantores brasileiros. Acho que a proximidade do publico e dos produtores com os artistas retratados, prejudicam o contar de uma boa hist&#243;ria. S&#227;o filmes chapa branca, que pisam em ovos o tempo todo e dire&#231;&#245;es quadradas demais. </p><p>A cinebiografia do <strong>Ney Matogrosso</strong>, n&#227;o &#233; assim. O filme ainda tem aquela estrutura de roteiro meio globo filmes quando precisa ter, mas n&#227;o &#233; nada conservador. Tem uma montagem fluida, uma est&#233;tica e fotografia que evocam o tropicalismo e a carreira do artista. &#201; provocador, como sua musica e suas performances. &#201; escandaloso pra quem se incomoda, &#233; po&#233;tico, sensual e verdadeiro.</p><p>Os relacionamentos amorosos e familiares conturbados, o per&#237;odo da ditadura militar e a epidemia da Aids, nada parece ter sido suavizado. O pr&#243;prio Ney n&#227;o aceitaria algo assim. Foi incr&#237;vel ver um filme nacional desse tipo ganhando destaque e bilheteria em tempos de tanto conservadorismo. &#201; o filme do menino Ney que vale.</p><h2>09 - Superman - James Gunn</h2><p>Sei que eu reclamei dos filmes de super-her&#243;is no come&#231;o do texto, e agora t&#244; colocando um deles aqui no ranking. Mas o nome do blog &#233; <strong>INCOERENTE</strong>, ent&#227;o, me deixa em paz.</p><p>O safado do <strong>James Gunn</strong> est&#225; nos contando a mesma hist&#243;ria desde que escreveu o filme do <strong>Scooby-Doo em 2002</strong>. &#201; sempre um grupo de desajustados, que aprende a conviver e se torna uma fam&#237;lia. Funcionou com <strong>Scooby-Doo</strong>, com <strong>Guardi&#245;es da Gal&#225;xia</strong>, <strong>Esquadr&#227;o Suicida</strong>, <strong>Pacificador </strong>e, funcionou aqui, no filme &#8220;solo&#8221; do <strong>Superman</strong>. </p><p>Embora eu veja um monte de furos de roteiros, com muitos personagens subutilizados e ache um filme corrido demais eu estava morrendo de saudades de um filme com cora&#231;&#227;o.</p><p>A ess&#234;ncia do Superman est&#225; l&#225;. Todos os atores funcionam muito em seus pap&#233;is, s&#227;o carism&#225;ticos e parecem estar se divertindo. Todos os personagens me deixaram com vontade rev&#234;-los em produ&#231;&#245;es futuras. Tem humor, cores vivas e momentos emocionantes.</p><p>Superman &#233; como as adapta&#231;&#245;es de quadrinhos de super-her&#243;is deveriam ser e como o <strong>Zack Snyder</strong> nunca conseguiu fazer. <strong>David Corenswet </strong>&#233; um Superman que sorri, &#233; simp&#225;tico e gente boa, totalmente oposto ao Superman com cara de seguran&#231;a de boate chique que o Henry Cavill fazia.</p><p>Eu tamb&#233;m queria cenas de a&#231;&#227;o melhores, mais audaciosas, mas mesmo com todos os problemas e defeitos, o filme me conquistou. Sa&#237; da sess&#227;o com um sorriso bobo e cantarolando<em> <strong>&#8216;Cause I&#8217;m a punk rocker, yes I am&#8230;</strong></em></p><h2>08 - F1 - Joseph Kosinski</h2><p>Falando em contar a mesma hist&#243;ria que j&#225; conhec&#237;amos... J&#225; vimos essa do velho rebelde, ou fora de forma, mas excepcional e do jovem em ascens&#227;o, obcecado, mas arrogante e esquentado. Eles se estranham, brigam, aprendem a trabalhar juntos e ensinam uma li&#231;&#227;o motivadora um ao outro. Filmes de esportes, com hist&#243;rias de supera&#231;&#227;o, costumam ser bem previs&#237;veis. Mas a execu&#231;&#227;o &#233; tudo.</p><p>Aqui temos um belo exemplo de arroz com feij&#227;o bem feito. O filme anterior de <strong>Joseph Kosinski</strong>, <strong>Top Gun: Maverick (2022)</strong> j&#225; era isso. Aqui ele repete a formula de personagens carism&#225;ticos, cenas impressionantes e tecnicamente perfeitas. Mas eu acho que funcionou mais em F1.</p><p>O filme &#233; um espet&#225;culo visual e sonoro. &#201; imersivo, din&#226;mico e me deixou completamente atra&#237;do por aqueles carros e corridas, mesmo eu nunca tendo assistido a um puto de Formula 1 na vida.</p><p>O carisma dos personagens de <strong>Brad Pitt</strong>, <strong>Damson Idris</strong>, <strong>Javier bardem</strong> e <strong>Kerry Condon </strong>seguram o filme, que mesmo com 2h35 minutos, n&#227;o vi o tempo passar.</p><h2>07 - A Hora do Mal - Zach Cregger</h2><p>Esse ano eu fui menos bund&#227;o e criei coragem pra ver uns filmes de terror. <strong>A Hora do Mal</strong> foi um deles.</p><p>&#201; a hist&#243;ria das crian&#231;as de uma mesma classe, de uma cidade pequena, que saem correndo feito o Naruto, todas as 03h17 da manh&#227;.</p><p>O mist&#233;rio por tr&#225;s do desaparecimento das crian&#231;as, o terror psicol&#243;gico e a paranoia enfrentados pela professora, a crescente de viol&#234;ncia e a impot&#234;ncia da cidade em rela&#231;&#227;o ao inexplic&#225;vel, me pegaram demais.</p><p>A narrativa, por diversos pontos de vista e contada em cap&#237;tulos, foi um recurso muito bem utilizado. E o filme possui todo um subtexto sobre a viol&#234;ncia, o bullying e os ataques em escolas e a paranoia americana. O titulo original, <strong>Weapons</strong>, talvez evidencie isso.</p><p>O diretor tamb&#233;m fez o &#243;timo <strong>Barbarian (2022)</strong>, utilizando essa mesma estrutura narrativa. Esse, eu tamb&#233;m criei coragem e assisti.</p><h2>06 - Os Pecadores - Ryan Coogler</h2><p>O cinema &#233; carente de boas hist&#243;rias originais, que n&#227;o sejam adapta&#231;&#245;es ou remakes de nenhuma outra m&#237;dia. E o terror &#233; o g&#234;nero que mais tem suprido essa demanda.</p><p><strong>Os Pecadores</strong> &#233; um daqueles filmes que n&#227;o se prendem ao g&#234;nero. &#201; terror, suspense, drama, musical, tem um pouco de a&#231;&#227;o, consegue ser cult e popular ao mesmo tempo, tem uma pitadinha de trash e blaxploitation. Ver esse filme fazendo bilheteria e conquistando a critica mundial foi uma das melhores coisas da cultura pop em 2025. </p><p>O filme &#233; uma carta de amor a m&#250;sica e a cultura negra, da forma mais criativa e audaciosa poss&#237;vel. Deixa explicito o racismo e a apropria&#231;&#227;o cultural, sem ser panflet&#225;rio. Aponta o dedo pra supremacista branco, no per&#237;odo mais propicio a volta da Ku Klux Klan da hist&#243;ria recente dos Estados Unidos.</p><p>Com anti-her&#243;is como protagonistas, &#243;timos di&#225;logos e personagens ao mesmo tempo muito aut&#234;nticos e caricatos, o filme lembra levemente <strong>Um Drink No Inferno (1996)</strong>, mas com muito mais consist&#234;ncia e estilo.</p><h2>05 - Oeste Outra Vez - &#201;rico Rassi</h2><p>Outro filme nacional, lan&#231;ado nos festivais em 2024, mas que s&#243; chegou aos cinemas em meados de 2025. Essa distancia entre o lan&#231;amento oficial e o lan&#231;amento comercial, evidencia a dificuldade de distribui&#231;&#227;o do cinema brasileiro. Por&#233;m <strong>Oeste Outra Vez</strong> se saiu muito melhor que Os Enforcados. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg" width="1000" height="1500" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1500,&quot;width&quot;:1000,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:608653,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.incoerente.com/i/184494291?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BEt-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8e5d878f-353f-41e6-8900-e085914eea2a_1000x1500.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#201; um filme bem simples, mas com uma proposta muito interessante, de ser protagonizado apenas por homens. O que faz da aus&#234;ncia feminina, um personagem.</p><p>Filmado no sert&#227;o de Goi&#225;s, esse Western moderno com elementos de comedia de erros, conta a hist&#243;ria de um homem que contrata um pistoleiro idoso para matar o cara que &#8220;roubou&#8221; sua esposa. </p><p>O filme trata das rela&#231;&#245;es masculinas, da viol&#234;ncia e como os homens lidam com seus sentimentos. Um filme sens&#237;vel, melanc&#243;lico e engra&#231;ado ao mesmo tempo.</p><h2>04 - Uma Batalha Ap&#243;s a Outra - Paul Thomas Anderson</h2><p>Admito que eu n&#227;o sabia o que esperar desse filme e n&#227;o sei o que dizer sobre ele.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o1wJ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F65ac053b-554c-4fb3-8b1f-1e45ef17a900_1000x1500.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o1wJ!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F65ac053b-554c-4fb3-8b1f-1e45ef17a900_1000x1500.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Um filme que equilibra perfeitamente a tens&#227;o, a com&#233;dia, o desconforto e, o porque n&#227;o, tes&#227;o.</p><p>Temos uma crescente, um senso de urg&#234;ncia e uma quebra de expectativa a cada cena. &#201; bem filmado e criativo, como s&#243; o <strong>Paul Thomas Anderson</strong> poderia fazer. Talvez seu melhor filme no quesito ritmo. Sua conclus&#227;o tem uma das melhores cenas de persegui&#231;&#227;o dos &#250;ltimos anos. E seu inicio tem algumas das melhores de sacanagem tamb&#233;m. &#201; cinema feito de pau duro!</p><p><strong>Leonardo DiCaprio</strong> est&#225; em uma das melhores performances de sua carreira. <strong>Teyana Taylor</strong>, um espet&#225;culo. <strong>Benicio del Toro</strong>, excelente como sempre. E <strong>Sean Penn </strong>como o vil&#227;o do ano, completamente surtado.</p><h2>03 - Foi Apenas Um Acidente - Jafar Panahi</h2><p>Alguns filmes tem o poder de nos fazer questionar as nossas pr&#243;prias convic&#231;&#245;es.<br>Em <strong>Foi Apenas Um Acidente</strong>, filme franc&#234;s dirigido pelo iraniano <strong>Jafar Panahi</strong>, somos confrontados pelo desejo de vingan&#231;a, pela viol&#234;ncia e suas consequ&#234;ncias.</p><p>Uma hist&#243;ria politica e atual, sobre resist&#234;ncia, responsabilidade e perd&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Mps0!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F67836360-e949-4209-a5ab-b5bb7148934d_1000x1500.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Uma reflex&#227;o sobre a impunidade e responsabilidade dos indiv&#237;duos que contribuem e perpetuam o sistema.</p><p>Uma obra angustiante, sens&#237;vel e revoltante, mas que fez a sala de cinema que eu estava gargalhar em muitos momentos. </p><h2>02 - O Agente Secreto - Kleber Mendon&#231;a Filho</h2><p>UM FILMA&#199;O! Um daqueles filmes que quanto mais eu penso, mais eu gosto dele.</p><p>Kleber Mendon&#231;a Filho, sabe contar uma hist&#243;ria inteligente, politica e questionadora da forma mais descolada poss&#237;vel.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LCsI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F35773b07-f372-4e3f-babe-5ad08d8931ca_1000x1500.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!LCsI!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F35773b07-f372-4e3f-babe-5ad08d8931ca_1000x1500.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Um filme cru e realista, mas com momentos l&#250;dicos e abstratos. Cheio de personagens marcantes, com uma narrativa fragmentada e n&#227;o linear, di&#225;logos e tramas que nem sempre se conectam, mas que enriquecem a identidade do filme.</p><p>Uma identidade muito brasileira, mas que n&#227;o tem medo de se apropriar da cultura de outros lugares e somar as nossas referencias. Referencias essas que o diretor deixa bem explicitas ao homenagear o cinema hollywoodiano dos anos 70.</p><p>Ao mesmo tempo em que <strong>O Agente Secreto</strong> &#233; o filme mais brasileiro do ano, ele tem uma assinatura t&#227;o pr&#243;pria, que n&#227;o se parece com nada produzido aqui no mesmo per&#237;odo. <strong>Kleber Mendon&#231;a</strong> &#233; um diretor t&#227;o vers&#225;til, que o filme nem se parece muito com seus filmes anteriores, como <strong>Bacurau (2019)</strong> e <strong>O Som ao Redor (2012)</strong>.</p><p>A fotografia e a dire&#231;&#227;o de arte s&#227;o maravilhosas. Fiquei totalmente imerso naquele contexto de <strong>Recife </strong>dos anos 70. A trilha sonora &#233; incr&#237;vel, e fica na cabe&#231;a por um bom tempo, e o clima de tens&#227;o e suspense pairam cada cena. O filme n&#227;o precisa ser expositivo ao falar sobre a ditadura, pois ele nos transporta pra ela.</p><p>Citei aqui as cenas de a&#231;&#227;o/persegui&#231;&#227;o dirigidas por <strong>Paul Thomas Anderson</strong> e <strong>Ari Aster</strong>, mas a catarse entregue por <strong>Kleber Mendon&#231;a</strong> nos minutos finais de <strong>O Agente Secreto</strong> &#233; insuper&#225;vel.</p><p>Mas, se eu precisasse escolher um elemento para ser o destaque do filme, eu escolheria os personagens. Personagens t&#227;o bem dirigidos e atuados, que ao mesmo tempo que s&#227;o incrivelmente caricatos, s&#227;o muito realistas. Todo brasileiro j&#225; cruzou com algumas daquelas figuras pelo menos uma vez na vida.</p><p>Mas e ai, raparigou ou n&#227;o raparigou?</p><h2>01 - A &#218;nica Sa&#237;da - Park Chan-Wook</h2><p><strong>Park Chan-Wook,</strong> tamb&#233;m conhecido como &#8220;O homem que nunca errou&#8221;. &#201; o diretor de alguns dos MELHORES filmes do s&#233;culo XXI. O cl&#225;ssico <strong>Old Boy (2003)</strong> e sua triologia da vingan&#231;a s&#227;o alguns dos melhores filmes que eu j&#225; vi em toda a minha vida. Filmes impactantes at&#233; para os padr&#245;es do cinema sul-coreano.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg" width="1000" height="1500" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1500,&quot;width&quot;:1000,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:637567,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.incoerente.com/i/184494291?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2N0c!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F92bf0447-2a75-4f36-82b2-63af7bc1a370_1000x1500.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Em <strong>No Other Choice</strong>, temos um homem de classe m&#233;dia alta, que ao perder seu emprego, numa f&#225;brica de papel, &#233; levado pelo desespero a tomar medidas dr&#225;sticas. Park Chan-Wook, faz uma reflex&#227;o sobre a empatia, o orgulho e a viol&#234;ncia de pessoas comuns, fazendo coisas horr&#237;veis. </p><p>Assim como o ganhador do Oscar, <strong>Parasita (2019)</strong>, o filme faz duras criticas aos problemas sociais e econ&#244;micos da <strong>Coreia do Sul</strong>. Vemos as consequ&#234;ncias do capitalismo e suas logicas de trabalho desumanas, a busca por uma produtividade inalcan&#231;&#225;vel e a mentalidade de autoaperfei&#231;oamento constante pela qual as pessoas s&#227;o cobradas. Vemos como as incertezas financeiras afetam as fam&#237;lias, as rela&#231;&#245;es amorosas, os status sociais, a moral e autoestima das pessoas. </p><p>Mas mesmo com todas essas criticas, o filme est&#225; longe de ser uma obra amargurada ou ressentida com o mundo. O diretor consegue extrair beleza, poesia e humanidade dos momentos mais desesperadores e sem esperan&#231;a daqueles personagens. </p><p>Uma hist&#243;ria sobre a decad&#234;ncia da classe m&#233;dia e sobre homens que fizeram do trabalho o sentido de suas vidas. Como os fabricantes de papel do filme, que encontram a beleza e a tristeza em seu oficio.</p><p></p><div><hr></div><p>Esses foram os filmes que mais gostei ao longo de 2025. Um ano muito bom, em que eu fiquei muito satisfeito com os rumos criativos do cinema. Para 2026, quero ver ainda mais filmes, e quem sabe trazer uma lista menos previs&#237;vel para voc&#234;s aqui no Substack?!</p><p>Deixe seu ranking pessoal ai nos coment&#225;rios, para que eu possa discordar ou pegar indica&#231;&#245;es. Feliz 2026. </p><div><hr></div><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Monstro do Pântano de Alan Moore]]></title><description><![CDATA[Um dos primeiros trabalhos do autor brit&#226;nico, &#233; tamb&#233;m uma das obras mais impactantes dos quadrinhos ocidentais. O Velho &#233; foda desde novo.]]></description><link>https://www.incoerente.com/p/o-monstro-do-pantano-de-alan-moore</link><guid isPermaLink="false">https://www.incoerente.com/p/o-monstro-do-pantano-de-alan-moore</guid><dc:creator><![CDATA[Samuel Patrian]]></dc:creator><pubDate>Tue, 13 Jan 2026 00:03:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!v__L!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbcf6e470-05c6-4ecd-8457-fee2ecf1f9c0_1650x1259.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>*texto publicado originalmente em Agosto de 2020</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!v__L!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbcf6e470-05c6-4ecd-8457-fee2ecf1f9c0_1650x1259.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset image2-full-screen"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!v__L!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbcf6e470-05c6-4ecd-8457-fee2ecf1f9c0_1650x1259.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!v__L!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbcf6e470-05c6-4ecd-8457-fee2ecf1f9c0_1650x1259.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!v__L!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbcf6e470-05c6-4ecd-8457-fee2ecf1f9c0_1650x1259.jpeg 1272w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><em>The Saga of the Swamp Thing #20-#64 &#8212; 1984-1987<br>By Alan Moore, Stephen R. Bissette e John Totleben</em></p><div><hr></div><p>Em 1984, <strong>Alan Moore</strong> n&#227;o era o mago dos quadrinhos e o autor consagrado que conhecemos hoje. Tampouco era um mago, quando foi chamado para escrever <strong>A Saga do Monstro do P&#226;ntano</strong> para a <strong>DC Comics</strong>. Aos 30 anos, tinha em seu curr&#237;culo algumas hist&#243;rias bem-sucedidas para a <strong>2000 A.D.</strong>, <strong>Warrior</strong> e <strong>Marvel U.K.</strong>, mas era um estreante e total desconhecido para o mercado americano.</p><p>Ao longo das 45 edi&#231;&#245;es em que esteve &#224; frente do t&#237;tulo (1984&#8211;1987), Moore, com os desenhos de <strong>Stephen R. Bissette</strong> e <strong>John Totleben</strong>, entregou roteiros profundos, audaciosos e utilizou t&#233;cnicas bastante experimentais em suas narrativas. Fa&#231;anhas que provocaram e inspiraram a renova&#231;&#227;o de toda uma ind&#250;stria (revolu&#231;&#227;o que ele iria fazer de novo em <strong>Watchmen</strong>, dois anos depois).</p><p>Ent&#227;o, antes de mergulharmos nos brejos da <strong>Louisiana </strong>e na hist&#243;ria de <strong>Alec Holland</strong>, quero pontuar suas influ&#234;ncias e seu impacto, n&#227;o s&#243; nos quadrinhos, mas na cultura pop dos &#250;ltimos quarenta anos. Quando eu terminar, talvez voc&#234; concorde com o que eu vou dizer a seguir:</p><div class="pullquote"><p>&#8220;P&#243;s Era de Ouro, os quadrinhos de super-her&#243;is mais importantes s&#227;o: Watchmen e O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Depois de A Saga do Monstro do P&#226;ntano.&#8221;</p></div><p>Escrevendo o Monstro do P&#226;ntano, Alan Moore foi o respons&#225;vel pelo fim do <strong>Comics Code Authority</strong>, &#243;rg&#227;o de autorregula&#231;&#227;o e censura dos quadrinhos, criado nos anos 50. Ao n&#227;o ter o selo aprovado em <em>The Saga of The Swamp Thing #29</em> por ser considerada uma hist&#243;ria muito pesada, fez com que a DC abandonasse o c&#243;digo.</p><p>Essa subvers&#227;o e o experimentalismo de Moore, com seus temas sociais e adultos, tamb&#233;m inspiraram outros movimentos dentro da DC Comics. Embora originalmente n&#227;o fizesse parte do selo, o Monstro do P&#226;ntano foi inspirador para que a lend&#225;ria editora <strong>Karen Berger</strong> criasse o selo <strong>Vertigo</strong>.</p><p>Karen Berger buscava mais liberdade criativa, maturidade, diversidade de temas e hist&#243;rias, al&#233;m de uma remunera&#231;&#227;o e distribui&#231;&#227;o justa dos direitos autorais para os autores e artistas, briga que Alan Moore sempre comprou.</p><p>Berger e Moore tamb&#233;m s&#227;o os grandes respons&#225;veis por um movimento conhecido como a <strong>&#8220;Invas&#227;o Brit&#226;nica dos Quadrinhos&#8221;</strong>, onde diversos quadrinistas ingleses passaram a publicar nos Estados Unidos. Autores como <strong>Neil Gaiman, Grant Morrison, Peter Milligan, Jamie Delano,</strong> posteriormente <strong>Garth Ennis, Mark Millar</strong> e tantos outros.</p><p>Mas a contribui&#231;&#227;o desse t&#237;tulo que considero minha favorita &#233; o surgimento de <strong>John Constantine</strong>, criado por Alan Moore, Stephen R. Bissette e John Totleben em <em>The Saga of The Swamp Thing #37.</em></p><p>O mago ingl&#234;s (Constantine, n&#227;o o Moore) apareceu como um coadjuvante inspirado no vocalista do <strong>The Police, Sting</strong>. Mais tarde, ganhou sua pr&#243;pria revista (o Constantine, n&#227;o o Sting), <strong>Hellblazer</strong>, pelas m&#227;os de <strong>Jamie Delano</strong>. Constantine, com seus cigarros e seu pulm&#227;o prejudicado, se tornou um dos personagens mais fod&#245;es da DC, mais conhecido at&#233; que o pr&#243;prio Monstro do P&#226;ntano.</p><p>S&#243; algumas das contribui&#231;&#245;es dessa fase para a hist&#243;ria das hist&#243;rias em quadrinhos. Um titulo t&#227;o disruptivo, que influenciou criativamente e comercialmente os quadrinhos norte-americanos. </p><h1>Precedentes, origens e o per&#237;odo pr&#233; Alan Moore</h1><p>O Monstro do P&#226;ntano (Swamp Thing) foi criado em 1971, pelo roteirista <strong>Len Wein </strong>(sim, o mesmo mano que criou o Wolverine) e o artista <strong>Bernie Wrightson</strong>, para a colet&#226;nea de hist&#243;rias de terror <em>House of Secrets #92</em>. Essa hist&#243;ria curta se passa no in&#237;cio do s&#233;culo XX e narra a trag&#233;dia de <strong>Alex Olsen</strong>, o cientista assassinado, que retornava como uma criatura aterrorizante do p&#226;ntano. Sim, nessa primeira vers&#227;o era Alex e n&#227;o Alec, e o personagem nem falava.</p><p>No ano seguinte, o personagem ganhou uma revista pr&#243;pria, que durou de 1972 a 1976, com 24 edi&#231;&#245;es por Wein e Wrightson. A origem foi recontada para que se passasse nos anos 70 e o Monstro do P&#226;ntano, agora sim Alec Holland, ficou menos disforme e ganhou um tom mais heroico. As hist&#243;rias dessa primeira fase foram marcadas pela busca de Alec por uma cura, enquanto lutava contra zumbis, alien&#237;genas e cientistas loucos. Hist&#243;rias e vil&#245;es padr&#245;es do g&#234;nero de terror.</p><p>O personagem ficou na gaveta at&#233; 1982, quando a DC decidiu retomar com o t&#237;tulo. Essa retomada veio para aproveitar o lan&#231;amento de um filme, dirigido por <strong>Wes Craven</strong>.</p><p>A revista passou a se chamar &#8220;A Saga do Monstro do P&#226;ntano&#8221;, era escrita por <strong>Martin Pasko</strong> e desenhada por <strong>Tom Yeates</strong>. Nessa segunda fase, Alec Holland viaja por lugares ex&#243;ticos, ainda buscando recuperar sua humanidade, enquanto enfrentava suas habituais amea&#231;as. Nessas aventuras foram adicionados dem&#244;nios, bruxas e possess&#245;es, mas isso n&#227;o impediu que as hist&#243;rias se tornassem repetitivas ap&#243;s algumas edi&#231;&#245;es.</p><p>Martin Pasko ficou &#224; frente do t&#237;tulo at&#233; a edi&#231;&#227;o #19 e a revista beirava o cancelamento quando Len Wein, agora editor, decidiu arriscar e ligar para a Inglaterra. O personagem, nunca mais seria o mesmo.</p><h1>A era Alan Moore</h1><blockquote><p><em>&#8230;Imaginaram que houvesse chagado ao limite.</em> <em>N&#227;o se iludam mais. N&#227;o h&#225; limites.</em></p></blockquote><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg" width="728" height="326.3142509135201" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:false,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:368,&quot;width&quot;:821,&quot;resizeWidth&quot;:728,&quot;bytes&quot;:201200,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.incoerente.com/i/183616933?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:&quot;center&quot;,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!o5DE!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F314236fd-02e1-4dbe-b864-8b4ea48e9c45_821x368.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">A Saga do Monstro do P&#226;ntano #20 (Janeiro de 1984) &#8211; Primeira edi&#231;&#227;o com roteiro de Alan Moore.</figcaption></figure></div><p>A primeira hist&#243;ria de Alan Moore com o t&#237;tulo de <em><strong>&#8220;Pontas Soltas&#8221;</strong></em> &#233; exatamente isso. Uma hist&#243;ria para amarrar as pontas soltas deixadas pela equipe criativa anterior e preparar terreno para o primeiro arco e a desconstru&#231;&#227;o total do personagem.</p><p>Essa edi&#231;&#227;o j&#225; tem um texto bem mais po&#233;tico e pr&#243;ximo da literatura cl&#225;ssica, com uma abordagem filos&#243;fica e existencial. Elementos raros nos quadrinhos da &#233;poca, ainda mais nas edi&#231;&#245;es mensais.</p><p>Terror f&#237;sico, suspense e monstros somaram a um horror psicol&#243;gico e sinest&#233;sico. A fic&#231;&#227;o cient&#237;fica foi adicionada, mas sem perder os elementos m&#237;sticos e sobrenaturais. A ambienta&#231;&#227;o tamb&#233;m mudou. N&#227;o eram mais aventuras em lugares remotos e que causavam medo. Era um terror mais urbano, mais pr&#243;ximo, cheio de trag&#233;dias e que causava repulsa. Um horror sofisticado, como a pr&#243;pria DC come&#231;ou a vender.</p><blockquote><p><em>Antes eu s&#243; conhecia a periferia do medo&#8230;e agora c&#225; estou, no meio da cidade grande.</em></p></blockquote><p>Um dos primeiros feitos de Alan Moore &#224; frente do t&#237;tulo, foi reformular todo o conceito do personagem. Sua origem misteriosa, foi substitu&#237;da por uma explica&#231;&#227;o cient&#237;fica. Na edi&#231;&#227;o <em><strong>#21 - Li&#231;&#227;o de Anatomia</strong></em>, a criatura &#233; dissecada, no sentido literal e figurativo da palavra. Descobrimos ent&#227;o que o humano n&#227;o se tornou monstro, e que o monstro nunca foi humano.</p><p>Essa desconstru&#231;&#227;o ambiciosa do personagem, fez da edi&#231;&#227;o 21, a segunda escrita por Moore, a edi&#231;&#227;o mais famosa e mais aclamada do personagem. Calcule o impacto dos leitores, no meio dos anos 80, ao descobrirem que o personagem que acompanhavam h&#225; tantos anos, n&#227;o era o que eles pensavam. Tudo isso numa revista mensal, regular e dentro da cronologia.</p><p>Mas essas mudan&#231;as completas no conceito e na origem do personagem n&#227;o foram suficientes. Em uma jornada de autoconhecimento e existencialismo, Alan Moore desconstr&#243;i esse personagem mais algumas vezes. Ele fez do monstro uma planta, depois um elemental, do elemental uma consci&#234;ncia coletiva, at&#233; torn&#225;-la um deus.</p><blockquote><p><em>N&#227;o me deixaram ser humano&#8230;e me tornei&#8230;monstro.<br>N&#227;o me deixaram ser monstro&#8230;e me tornei&#8230;planta.<br>E agora&#8230;Voc&#234; n&#227;o vai me deixar&#8230;Ser uma planta.</em></p><p>&#8212; Alec Holland, o Monstro do P&#226;ntano.</p></blockquote><p>Toda essa jornada, ao longo das 45 edi&#231;&#245;es, traz tamb&#233;m a evolu&#231;&#227;o de Moore como autor. Vemos o desenvolvimento de algumas ideias, cren&#231;as e conceitos que seriam amplamente trabalhados com o <strong>Doutor Manhattan</strong>, em <strong>Watchmen</strong> (1986) por exemplo. A aliena&#231;&#227;o desses personagens em rela&#231;&#227;o a humanidade e a cr&#237;tica sobre a moral dos super-her&#243;is, &#233; um tema muito recorrente nas obras do barbudo. Al&#233;m de Watchmen e Monstro do P&#226;ntano, &#233; amplamente trabalhado em <strong>Miracleman</strong>. </p><h1>N&#227;o s&#243; do P&#226;ntano, mas Americano</h1><blockquote><p><em>&#8230;E as ondas se propagam Am&#233;rica afora. Por meio das mentes mais torpes.</em></p></blockquote><p>Agora que a criatura da Louisiana estava consolidada, era hora de Moore dissecar os <strong>Estados Unidos da Am&#233;rica. </strong>&#201; ir&#244;nico que um autor brit&#226;nico, da remota <strong>Northampton</strong>, tenha descrito t&#227;o bem os EUA, seus problemas e necessidades. Um retrato perfeito do s&#233;culo XX por aquelas bandas.</p><p>Em <strong>G&#243;tico Americano</strong> (arco de hist&#243;rias, a partir da edi&#231;&#227;o #37), Moore cria uma verdadeira<em> road trip</em> pela Am&#233;rica, passando por cidades pequenas, incorporando lendas urbanas, mitos e os fatos hist&#243;ricos de cada lugar. O que evidencia seu amplo conhecimento e seu trabalho de pesquisa excepcional. Quem leu <strong>Do Inferno (1989-1996)</strong>, sabe o quanto esse cara pesquisa.</p><p>Foi ao longo desse arco que temas importantes como pautas ambientais e sociais foram levantados. Algumas das hist&#243;rias mais impactantes tratavam do racismo, da viol&#234;ncia dom&#233;stica e desigualdade social, que infelizmente, n&#227;o ficaram nos anos 80.  A passagem inteira de Moore pelo t&#237;tulo &#233; extremamente pol&#237;tica, o que a torna ainda mais relevante e atemporal.</p><p>A cultura armamentista, o falso moralismo americano e at&#233; o conceito de brucutu dos anos 80 foi provocado. Sobrou pra todo mundo. At&#233; o <strong>Batman </strong>e a <strong>Liga da Justi&#231;a</strong> foram tirados de seus pedestais.</p><h1>Arte e Narrativa Visual</h1><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg" width="455" height="707" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:707,&quot;width&quot;:455,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:135469,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://www.incoerente.com/i/183616933?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Faababd11-9c0c-4f5e-9a8f-faf308f55465_488x750.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zaz1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1609f66a-4a85-4976-91c2-d227104d9d25_455x707.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p><p>Quadrinhos n&#227;o s&#227;o textos ilustrados. A nona arte &#233; a jun&#231;&#227;o de narrativa visual, com a parte escrita, dos di&#225;logos, cores, bal&#245;es e narra&#231;&#245;es, formando uma unidade. E nesse aspecto, A Saga do Monstro do P&#226;ntano tamb&#233;m consegue ser impec&#225;vel e revolucion&#225;ria.</p><p>Com desenhos r&#250;sticos, mas cheios de detalhes, <strong>Stephen Bissette</strong>, <strong>John Totleben</strong> e depois, <strong>Rick Veitch</strong>, entregaram p&#225;ginas deslumbrantes. As express&#245;es, texturas e cen&#225;rios criaram uma ambienta&#231;&#227;o perfeita de terror e melancolia. </p><p>Os artistas traduziram muito bem o sentimento que os textos metaf&#243;ricos e po&#233;ticos de Moore sugerem. As cenas mais pesadas causam as sensa&#231;&#245;es que um horror sofisticado deve passar. &#201; grotesco, psicod&#233;lico e brutal quando tem que ser.</p><p>Um dos elementos que mais gosto, s&#227;o os designs de personagens. A proposta do monstro em constante mudan&#231;a, fez com que os artistas criassem v&#225;rias caracteriza&#231;&#245;es.  A apar&#234;ncia do monstro se altera com as esta&#231;&#245;es ou para cada  vegeta&#231;&#227;o ou geografia que o personagem se apresenta, al&#233;m de e pontuar passagem de tempo.</p><p>A diagrama&#231;&#227;o das p&#225;ginas, molduras e o uso n&#227;o convencional dos quadros e bal&#245;es, fizeram do Monstro do P&#226;ntano, uma das obras mais experimentais e disruptivas deste per&#237;odo. Elementos pensados para transmitir sensa&#231;&#245;es e utilizar o m&#225;ximo potencial da m&#237;dia quadrinhos.</p><p>As cores de <strong>Tatjana Wood</strong>, completam o espet&#225;culo. A coloriza&#231;&#227;o viva, com cores quentes, contrastam e complementam o clima de terror.</p><p>Ap&#243;s quatro d&#233;cadas, o trabalho escrito e idealizado por Moore, com a lideran&#231;a dos editores Karen Berger e Len Wein, a arte exuberante de Stephen Bissette, John Totleben, Rick Veitch e as cores de Tatjana Wood, ainda &#233; uma leitura inesquec&#237;vel. &#201; um alinhamento de planetas, onde cada artista era o ideal para o trabalho, com as pessoas certas e no momento certo.</p><p>Um paulista diria, que esse n&#227;o &#233; um simples gibi, &#233; uma experi&#234;ncia! Seja pela qualidade t&#233;cnica e narrativa dessas hist&#243;rias, seja pela revolu&#231;&#227;o que causou na nona arte ou s&#243; porque a hist&#243;ria &#233; boa pra caralho.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.incoerente.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Inscreva-se para receber semanalmente (ou quase) os posts do Incoerente.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Obituário do Twitter]]></title><description><![CDATA[Morre o Inesquec&#237;vel. Morreu de morte matada, mas pense numa vida bem vivida.]]></description><link>https://www.incoerente.com/p/obituario-do-twitter</link><guid isPermaLink="false">https://www.incoerente.com/p/obituario-do-twitter</guid><dc:creator><![CDATA[Samuel Patrian]]></dc:creator><pubDate>Sat, 22 Mar 2025 01:39:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/94578cde-5509-40b0-8adf-b0ac8498aeed_465x225.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No final de 2024, eu deletei o meu Twitter. N&#227;o apenas por princ&#237;pios, ou por ideologia, mas porque, ap&#243;s ficar 40 dias sem, durante o bloqueio no Brasil, vi que j&#225; n&#227;o fazia mais sentido. O Twitter j&#225; estava morto. E ele morreu muito antes do Alexandre de Moraes fazer valer a soberania nacional no fat&#237;dico 30 de Agosto.</p><p>O Twitter foi uma parte importante da minha vida (ok, escrevendo isso percebi que &#233; meio triste), ent&#227;o esse encerramento de ciclo n&#227;o poderia passar em branco. Me peguei pensando que devia fazer um obitu&#225;rio. Eu nem sei fazer um obitu&#225;rio. Acho que nem nunca li um obitu&#225;rio. Talvez algu&#233;m j&#225; tenha at&#233; feito, mas vamos l&#225;.</p><p>Ele tinha apenas 16, j&#225; vinha doentinho o coitado, mas era um menino ainda. Tinha muita vida pela frente quando, em 27 de Outubro de 2022, o matador de passarinho bilion&#225;rio pagou $44 bilh&#245;es de d&#243;lares pelo direito de desligar os aparelhos. </p><p>Sei que em tempo de internet, 16 anos &#233; uma eternidade. Poucos sites, servi&#231;os e personalidades duram tanto. Mas aquele passarinho, mesmo j&#225; tendo passado por tanta coisa, era jovem de espirito. </p><p>Talvez voc&#234; discorde, diga que ele n&#227;o morreu. Mas voc&#234; est&#225; errado. O Twitter morreu no final de 2022, o passarinho que o simbolizava, morreu um pouco depois, em meados de 2023. O que existe hoje, com outro logo, e com um nome que me recuso a utilizar, &#233; um corpo putrefato. Um zumbi, cuja &#250;nica fun&#231;&#227;o &#233; acariciar o ego de um cinquent&#227;o com muito dinheiro e nenhum amigo.</p><p>Mas, em respeito ao defunto, n&#227;o vamos tornar esse memorial um campo de intrigas e debates pol&#237;ticos. Na verdade eu vou, mas deixo isso pro final do texto.</p><p>Minha hist&#243;ria com o Twitter come&#231;ou em 2009. Nunca tive muitos seguidores, nem era de Twittar muito, mas durante 13 anos, eu o acessei e rolei por toda a timeline, todos os dias. Um relacionamento que logo se tornou abusivo e que nem sou capaz de calcular os danos neurol&#243;gicos causados.</p><p>Desde os meus 13 anos, acompanhei via Twitter, umas oito elei&#231;&#245;es, entre municipais e presidenciais, um impeachment, quatro elei&#231;&#245;es norte-americanas, uma pandemia e uma CPI para apurar as mortes dessa pandemia. Li sobre um quase golpe de estado, algumas greves, vi um sujeito pendurado num caminh&#227;o, quatro Copas do Mundo, sendo que uma delas foi no meu pa&#237;s e esse mesmo pa&#237;s levou de 7 a 1. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg" width="594" height="357" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:357,&quot;width&quot;:594,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:18102,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://samuelpatrian.substack.com/i/159447574?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZM_Q!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd2b9e965-9f0c-4535-9162-1c569635b98e_594x357.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Esse Tweet &#233; uma das bilhares de pinturas rupestres digitais que deixaremos para as gera&#231;&#245;es futuras</figcaption></figure></div><p>Na cultura pop, que era uns 50% de tudo que eu consumia no Twitter, acompanhei umas 12 edi&#231;&#245;es do Oscar, in&#250;meras estreias da Marvel, as fofocas da CCXP, fen&#244;menos como Game of Thrones e Stranger Things. Tivemos del&#237;rios coletivos, como o SnyderCut e o cara que viu Bacurau 11 vezes pra pegar mulher. E durante uns 10 anos, todo ano foi o ano do podcast.</p><p>Mas nem tudo no Twitter era meme. Neste tempo em que fui viciado nessa rede social, acompanhei in&#250;meras discuss&#245;es importantes. Movimentos como o #BlackLivesMatter e o #MeToo surgiram ali. Debatemos sobre o capitalismo, sobre a cultura do cancelamento, a cultura woke e a Terra plana. Conversamos sobre o gigante que acordou em 2013, e se era melhor ter deixado ele dormir um pouco mais.</p><p>Grandes questionamentos, importantes para a humanidade, surgiram no Twitter. Qual o limite do humor? Afinal, o vestido era azul ou dourado? monogamia ou poligamia? E um chefe de estado uma vez perguntou: o que &#233; golden shower? </p><p>Nesses 16 anos em que o Twitter esteve entre n&#243;s, ele se tornou a Biblioteca de Alexandria do nosso s&#233;culo. Acompanhamos a hist&#243;ria atrav&#233;s dele. E escrevemos parte dessa hist&#243;ria, primeiro em 140 caracteres, depois em 280. Tivemos as threads (ou fios), salas de &#225;udio e at&#233; Storys. E no &#250;ltimo dia dessa fun&#231;&#227;o, geral postou foto pelado.</p><p>Mas e agora? Onde vamos acompanhar a mais nova treta do Felipe Neto? Como vamos ficar sabendo do mais novo exposed? Como vamos ter outro MarmitaGate? Onde vamos criticar a menina que ganhou sorvete Bacio di Latte do pai?</p><p>Antes de tirar a remela dos olhos, abr&#237;amos o Twitter e v&#237;amos o mundo acontecer. Presenciamos a ren&#250;ncia e escolha de um papa. Soubemos da morte da rainha, que ach&#225;vamos que era imortal, da morte do rei do futebol e do rei do Domingo Legal.</p><p>Foram tantos eventos importantes, que escreveria por meses e n&#227;o seria o suficiente. Tiveram outros eventos menos importantes tamb&#233;m, mas que valem a pena citar. Alguns Superbolws, algumas edi&#231;&#245;es do Rock In Rio, algumas Olimp&#237;adas, um Brexit e duas guerras recentes. </p><p>Foi uma vida intensa, mas devemos deix&#225;-lo ir. Talvez tenha sido melhor assim. Andava em m&#225;s companhias o menino Twitter. Era muito frequentado por gente estranha, f&#227;s do bigodinho esquisito, com s&#237;mbolo de cata-vento e mania de ficar levantando o bra&#231;o e bebendo leite do nada. Acho que foi at&#233; por isso que aquele sujeito pagou um dinheir&#227;o nele.</p><p>Talvez eu deva at&#233; agradecer aquele maldito. Foi gra&#231;as a ele (e ao Xand&#227;o) que eu me livrei desse relacionamento abusivo e larguei esse v&#237;cio. J&#225; n&#227;o era uma rede social agrad&#225;vel para se estar, ideologicamente e tecnicamente tamb&#233;m. Desde 2016 quando tiraram a timeline cronol&#243;gica, o site j&#225; n&#227;o era mais o mesmo e a experiencia de usu&#225;rio era cada vez pior. Talvez a gente deva ver a aquisi&#231;&#227;o, a mudan&#231;a do nome e o fim do passarinho azul como uma eutan&#225;sia, um golpe de miseric&#243;rdia. Um golpe de miseric&#243;rdia de $44 bilh&#245;es de d&#243;lares.</p><p>E &#8220;desligar os aparelhos&#8221; parece uma met&#225;fora pertinente, pois foi a primeira coisa que o Kiko dos Foguetes com problema hormonal fez. Suas primeiras medidas foram demitir 80% dos funcion&#225;rios, fechar escrit&#243;rios ao redor do mundo e reduzir a capacidade de processamento e servidores.</p><p>Quem ainda usava o Twitter nessa &#233;poca, notou que a usabilidade piorou, as imagens e v&#237;deos n&#227;o carregavam, as mensagens da DM sumiam e o site tinha alguns apag&#245;es, que lembravam muito seu in&#237;cio, quando foi cunhado o termo &#8220;baleiar&#8221;. Erros que n&#227;o aconteciam h&#225; alguns anos, mas que voltaram a ser comuns na gest&#227;o do bilion&#225;rio desenhado pelo Rob Liefeld.</p><p>O Twitter sempre foi uma rede social nichada e contradit&#243;ria. Tinha menos usu&#225;rios que o Pinterest, mas fazia um barulho infernal. Um lugar onde voc&#234; poderia conhecer as pessoas, projetos e ideias mais diversas, ou se enfiar na bolha mais fechada poss&#237;vel.</p><p>No Twitter tudo era intenso e o tuiteiro era diferenciado. Era o lugar dos descolados, dos cin&#233;filos, dos fetichistas, dos cirandeiros, dos artistas, de quem j&#225; tinha ligado o foda-se ou de quem vivia de cinismo e cigarro. Mas tamb&#233;m era o lugar do faria limer, do tioz&#227;o patriota de &#243;culos escuros, do conservador ou do zueiro opressor com tend&#234;ncias fascistas. L&#225; s&#243; n&#227;o era lugar de gente normal. Esses ainda est&#227;o no Facebook, que j&#225; morreu tamb&#233;m, mas que nem merece um obitu&#225;rio.</p><p>Rest in peace, ou Press F. Para os mais jovens.</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>